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Paulo Bento: Dias das Mães em Linha Chapadão teve festa e presentes

 

Fonte: Coluna de Marcos Castro no Au online/ Repórter: Marcos Castro/ Fotógrafo: Marcos Castro
Centro Comunitário e Capela Nossa Senhora das Dores

O Dias das Mães em Linha Chapadão, comunidade interiorana distante sete km da sede do município de Paulo Bento, mas que já pertenceu a Erechim, é sempre especial. Este ano não foi diferente. Missa, almoço e sorteio de presentes estiveram entre as homenagens prestadas para as mulheres na data consagrada a “rainha do lar”. Pode se dizer que por mais de 80 anos as mulheres são festejadas e consideradas e consideradas guerreiras num local que foi ocupado com muita dificuldade, mas que hoje é tratado com adjetivos positivos empregados com orgulho por moradores que permanecem na comunidade e por aqueles que mudaram para outras regiões do país. “Eu amo esse lugar!” Esta é uma das muitas manifestações de carinho registradas nas redes sociais quando o assunto é o apego, principalmente dos jovens, pelo lugar onde nasceram e onde residem familiares.

Região central do Distrito de Chapadão

Em eventos especiais como o Dia das Mães, eles se encontram para se divertir e rever amigos, jogar baralho, conversar e ouvir música; relembrar o convívio na atividade do agronegócio – a principal fonte de riqueza do lugar –  e falar de esportes – agora mais ainda apaixonante pela projeção do futebol feminino, em plena atividade. Os homens mais antigos renovam lembranças da cancha de bocha ou do campo do Esporte Clube Botafogo – um clube que tem como distintivo, a mesma estrela solitária do time carioca da cidade do Rio de Janeiro.

Povoada inteiramente por descendentes de imigrantes italianos, Linha Chapadão é um reduto católico encravado no alto de uma das elevações que se notabilizam pelas belezas naturais, encontradas com facilidade num simples olhar pelos vales das cercanias – um deles serpenteado pelo rio Erechim. Do alto da chapada é possível sair no sentido do vizinho município de Quatro Irmãos ou descer para a cidade de Paulo Bento, por uma sinuosa estrada bem cuidada e ladeada por matas, lavouras, e propriedades produtivas. Dizem de noite é possível ver as luzes da maior cidade da região – Erechim -, no topo da “Serra do Erechim”, como escreveu agrimensor, jornalista e escritor Miguel Juarez Illa Font.

Campo de futebol do Botafogo

O perímetro urbano da comunidade se estende ao longo da estrada pontilhada de casas coloniais e construções modernas. Os Mariga – produtores de leite – estão na saída para Quatro Irmãos, enquanto os Fiorentin – ligados aos grãos, principalmente – se posicionam no sentido Paulo Bento. No centro estão os Piovesan, em maior número, e outros, também pioneiros. Mas isso é apenas uma simplificação. Na verdade, são várias famílias dispostas na região urbana da sede do distrito. A história mais antiga da comunidade registra à presença dos Samuel, primitivos moradores de antes da onda de descendentes de imigrantes italianos chegar. Barato, Angonese, Matovani, Busnello, Bampi, Fiorentin, Piovesan, Orso, Mazzarollo, Cembranel, Mariga, estão entre os primeiros a fincar raízes e contribuir para consolidar um lugar hoje respeitado pela força da sua gente e a produtividade que alcançaram com o tempo. Um Piovesan conta que o avô dele chegou entre os primeiros, assim como o Mazzarollo que era responsável pelo ofício religioso. Mantovani é outro pioneiro, que percorreu uma picada (passagem primitiva, estreita) até o local onde hoje está Chapadão suas marcas e lembranças.

Católicos

Interior da Capela Nossa Senhora das Dores

Domingo passado a Capela Nossa Senhora das Dores abriu as portas para as famílias na tradicional Missa de Ação de Graças pelo Dia das Mães. Muitos fiéis integrados nas atividades diversas de organização do almoço, encontravam tempo para participar mesmo do ofício da missa, rotina sagrada de uma comunidade católica na essência. Na liturgia da palavra e a relação com o dia, o Pe. Gilson Samuel, lembrou que o Dia das Mães, entre outras datas festejadas pela família, é momento oportuno para retomar atos humanos que venham contribuir para a criação de uma sociedade diferente, capaz de estabelecer um diálogo e de produzir ações humanizadas. “Se nos amarmos mais, poderemos gerar atos que saiam do coração e contribuam para o entendimento”, sugeriu.

Missa do Dia das Mães

O padre lembrou que devemos agradecer às mães pela vida e o cuidado que deram a nós quando estivemos doentes, com sede e fome. É preciso usar esse exemplo de doação delas, na criação de um novo tempo em família e na comunidade. Pertencente a Paroquia de Paulo Bento, a Capela tem no Conselho Ecumênico os casais: Mauro e Salete Soligo (coordenador), Rodrigo e Liliane Piovesan (vice coordenador), José e Bernadete Piovesan (tesoureiro), Celso e Neiva Orso (2º tesoureiro), Eder e Adriana Rosin (Secretário).

Cooperação

Casais Festeiros do Dia das Mães e o Pe. Gilson Samuel
Balcão dos doces típicos da comunidade italiana

Nos Dia das Mães, desse ano, 120 pessoas formaram o grupo de atendentes encarregados de preparar e servir aos mais de 350 convidados credenciados com o convite especial. Jacksimar e Daniela Paula Mariga Fae, Nilson e Kari Piovesan Orso foram os casais que estiveram na coordenação geral dos festejos que além da Missa de Ação de Graças celebrada pelo Padre Gilson Samuel, receberam o carinho especial dos familiares, além de presentes sorteados pela organização do evento. Para os convidados foi servido um farto churrasco com galeto, carne de gado e de porco, acompanhado de saladas variadas. Na sobremesa, os doces tradicionais da culinária italiana (pudim, tortas, bolos..).

Futebol 

Josiel Fiorentin presidente do Botafogo
Casal Josiel e Bruna(D) batizado do filho Lorenzo

Josiel Fiorentin (presidente do Esporte Clube Botafogo) e sua esposa Bruna tiveram um domingo especial com o batismo do pequeno Lorenzo Miguel, vigiado de perto pela mana Nicole. O nenen batizado representa a terceira geração de uma das famílias pioneiras do lugar. O pai tem planos para o time e uma visão muito clara sobre a importância do futebol na vida da comunidade. Josiel sonha com um ginasião para esportes de quadra  – existe uma área livre próxima ao campo. O projeto de ter uma quadra coberta, representará o estabelecimento de mais um marco no esporte de Linha Chapadão, assim como o pequeno e acolhedor estádio do seu Botafogo – clube protagonista de uma bela história de entretenimento e fortalecimento das amizades locais e das vizinhanças.

Depoimentos

Navarini – Jogador e ex-presidente do Botafogo
Orso – descendente dos pioneiros de Chapadão

Segundo contam os mais velhos, foi o pioneiro Ângelo Orso o financiador do primeiro terno de camisetas, mas a sugestão do nome é de autoria de Gumercindo Angonese, que mudou faz um bom tempo para fora de Chapadão. Ninguém sabe o motivo de da opção por “Botafogo”, mas é possivelmente que seja pelo alcance das poderosas emissoras do rádio do Rio de Janeiro (Rádio Tupi, Rádio Nacional), que transmitiam o campeonato carioca, onde jogavam alguns os maiores jogadores da história do futebol brasileiro, entre eles, Garrincha, Nilton Santos, Zagalo, Manga, Quarentinha, e outros craques da Seleção Brasileira – todos no Botafogo. Passaram os anos e na atualidade 20 famílias continuam ligadas fortemente ao futebol de campo – o suficiente para manter o clube em atividade, afirma Josiel Fiorentin. “O time é forte, sempre sobra gente nos jogos”, complementa Jacksimar Faé, funcionário público, atleta de campo e de salão, conhecido pelo chute forte. Ele é natural da Linha 4, na região de Ponte Preta, e casado com Daniela Paula Mariga, nascida no lugar, e residente na cidade de Paulo Bento.

Presidente Josiel e a influência do Botafogo do RJ, no futebol
de Chapadão

Botafogo
Ivanildo Navarini, 68 anos, foi jogador e presidente do Botafogo. Ivanildo, juntamente com Nelson Orso (73), filho dos pioneiros Ângelo e Marciana Orso – que chegaram solteiros em Linha Chapadão, vindos de Bento Gonçalves e Veranópolis -, sabem muito da comunidade. Nelson, que não gosta e nunca jogou futebol, porque “não sobrava tempo”, afirma, era o mais novo de nove irmãos numa família que teve um padre capuchinho e uma freira. Sua memória registra a presença da primeira escola (pequena), dirigida pelo professor Tersilio Cembranel, pai de Antenor Cembranel, profissional mecânico conhecido em Erechim como empresário e desportista. A Linha Chapadão dos primeiros tempos está viva na sua lembrança e de muitos conterrâneos da sua geração de povoadores vindos das “Colônias Velhas” ocupada por imigrantes Italianos na região de Bento Gonçalves e Veranópolis, conhecido à época pela denominação de Alfredo Chaves.

Resumo

A chapada dominante desse importante distrito de Paulo Bento
Equipe de churrasqueiros das festas da comunidade
Pároco Gilson Samuel com Kananda Piovesan, do protocolo do almoço festivo das mães

Assim é Linha Chapadão num dia especial, com espaços bem definidos para os momentos de agradecer a Deus e celebrar à vida em família e com amigos. O local é hoje um distrito importante do município de Paulo Bento, mas ali estão as raízes de famílias que migraram para várias regiões do país, que continuam presas ao passado, onde nasceram e onde estão sepultados seus ancestrais pioneiros.

Quem é de Chapadão é conhecido pela altivez, quem sabe por viver nas alturas, portanto acostumado a enfrentar o tempo e o vento sem temor, confiante na proteção da fé em Deus e no trabalho, que dignifica e produz a energia para o futuro.

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